Cambodia @ July 2009

Após uma longa jornada de avião até à Malásia, mais concretamente Kuala Lumpur, falta completar uma espera de 8 horas. Felizmente há restaurantes por perto e a comida até se torna um fiel parceiro.

Durmo pouco, até porque os bancos de um terminal “very Low Cost” não são os melhores…

A emoção de poder finalmente carimbar “Kingdom of Cambodia” é mais forte e finalmente chega a hora. Chegamos mesmo à horinha. Está prestes a começar o dia por estes lados.

Estou em Siem Reap, o aeroporto mais perto do grande Angkor Wat, onde a ligação agora ficará a cargo do autocarro.

O sono de muitas noites por dormir acumula-se com mais uma noite passada em claro e as olheiras começam a dar sinais evidentes que é preciso descansar. Assumimos o risco mais uma vez, e partimos de imediato para Angkor Wat, não fosse ele desaparecer mesmo naquele dia, e com ele levasse todas as nossas ideias e imaginações.

Acreditamos ainda que algo de mágico nos irá fosse apresentar num país que leva os extremos ao seu máximo, onde a pobreza de mais de 90% da população faz-se à custa de muita corrupção.

Cambodia_Julho 2009

Por todos os lugares onde passei, Cambodja assume-se o mais pobre, em fome e em espírito, uma vez, que nem as próprias pessoas parecem acreditar em algo que na Europa chamamos de futuro.

Num país tão trágico, onde as crianças têm espaços próprios para pedir dinheiro, onde todos são contra a corrupção mas toda a gente a alimenta, pois é a forma mais fácil de sobreviver mais um tempo, quando nem mesmo este tempo parece dar espaço para as pessoas construírem algo melhor.

Com todo este choque cultural à nossa frente, é fácil render às palavras sábias de um motorista de Tuk Tuk (como por lá chamam) e nada mais fácil, aceitamos a proposta, sendo que 6 dólares parece razoável por um dia de tour. Está na hora de visitar o lugar que nos levou tão longe. Angkor Wat.

Após tirar o bilhete, que fica lindo, com uma foto digitalizada e personalizada para o efeito, os 20 US dólares por dia, não parecem um abuso para visitar o lugar que foi um dia a base do reino dos Khmer.

Na entrada pelo templo percebemos que valeu a pena. Percebemos que Angkor Wat, supera qualquer leitura sobre o mesmo, supera qualquer cenário jamais visto.

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Só aqui na entrada, percebemos finalmente porque Angkor Wat se funde com o Reino do Camdodja e porque está presente nas cervejas, nos restaurantes, no coração e na bandeira do País.

Estamos perante a materialização de toda a grandiosidade que um dia pertenceu a este povo e que já nada mais parece ter para oferecer a quem o visita. Resta-lhes Angkor Wat.

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Agora percebemos o que lemos na entrada do Cambodja “ Vocês estrangeiros têm tanto, e nós temos tão pouco. Mas nós temos Angkor. E nunca ninguém nos irá superar.”

Angkor Wat fica literalmente no meio da selva e o cenário é algo de transcendente.

Estamos perante o coração de um império que outrora se estendeu desde a Tailândia, atravessou o Laos e absorveu todo o Vietname. Com um milhão de habitantes, Angkor fez-se metrópole. Hoje, alguns dos templos dentro de Angkor estão destruídos, sendo pouco a pouco construídos pelos melhores especialistas do mundo, nunca tarefa quase impossível.

Apetece sentar e parar para pensar. Deixar ir os turistas em frente e primeiro.

Afinal nós vivemos na Ásia. Ganhamos pelo menos o direito a sentar e observar com calma a sede da mitologia Hindu. Paramos e escutamos o som dos turistas a encher o lugar, o som dos pássaros a fugir e a voar, imaginamos os elefantes com os exércitos Khmer a receber ordens de ataque e apenas alugamos meia hora da nossa imaginação a Angkor para perceber que estamos sentados num lugar fabuloso e místico.

Angkor continua ali. Sem se mexer. Parece que estava mesmo à nossa espera para gozar da sua altivez. Nem o Louvre lhe chega aos pés. O próprio Angkor ali fica a olhar para nós como se ele percebe-se da harmonia que vivemos naquele momento. Ele não se importa. Sabe que esta ali para isso mesmo. Pela sua imponência, sabe que choca. E que certamente é a maior maravilha do mundo, servindo durante 400 anos as conquistas e glórias dos Khmer pela Ásia.

Cambodia_Julho 2009

~ por pedroleite23 em Julho 27, 2009.

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